quarta-feira, 19 de julho de 2017

O Pós Parto da minha segunda filha: MARIA



O pós parto de maneira geral já é permeado por um turbilhão de emoções, assim o pós parto da Maria não foi diferente. Se por um lado já estamos acostumadas com muitas coisas operacionais do dia a dia com um bebê novo em casa como, por exemplo: trocar fraldas, dar banho, amamentar, identificar o motivo do choro e tantas outras, temos uma primeira filha que está vivendo um processo de luto muito intenso: perdendo seu trono!!!

Eu me lembro que o pós parto da Lisa (minha primeira filha) foi muito sofrido para mim e durou muitos meses e, não, somente os 40 dias do puerpério. Foi um luto muito dolorido da minha independência. Me vi sozinha em casa enquanto minhas amigas (na sua maioria sem filhos) trabalhavam e levam suas vidas. Me sentia sozinha e sem ter muito com quem compartilhar o que estava acontecendo comigo, quais eram meus sentimentos, minhas dores, meus medos, do que sentia falta. Tinha um sentimento muito ambivalente: queria sair correndo e ao mesmo tempo não conseguia desgrudar da minha cria. Todas as saídas eram doloridas e sentidas intensamente. Aos poucos fui me “curando” de toda essa dor e nasceu o amor... Eu sentia muita culpa por desejar ter a minha “antiga vida” de volta, tive ciúmes do Pedro (não de outras mulheres, mas do fato dele poder trabalhar, ter pernoites fora, almoçar sem ser interrompido, tomar banho no tempo dele, caminhar na rua). Ainda hoje me emociono e sinto um nó na garganta ao reconhecer esses sentimentos que, no meu auto julgamento, não  são muito nobres. Peço licença aqui para compartilhar algo útil para vocês mamães que me acompanham. Na Comunicação Não Violenta aprendemos que sentimentos que avaliamos como negativos são somente a manifestação de necessidades não atendidas. O que fiz nesse momento? Parei e fui buscar o que estava me faltando: Intedependência, liberdade, autonomia. Reconhecer isso me ajudou a buscar, aos poucos, atender de alguma forma essas necessidades mesmo com um recém nascido em casa. Como? Um café com uma amiga fora de casa, uma voltinha sem destino, uma saída para cuidar de mim e, principalmente, retomar minha prática de yoga.  Outra coisa que mudou muito no pós parto da Lisa foi que meu marido voava na rota e, consequentemente, tinha longos períodos fora, com 5 dias já estava fora e eu sozinha com a Lisa. Somado a isso a Lisa teve muita cólica, refluxo e alergia à proteína do leite, ou seja, chorou por 40 dias sem eu saber o que estava acontecendo. Foi enlouquecedor, mas passou.

A chegada da Maria foi completamente diferente. Não tive esse luto da antiga vida, já que já estava em outro ritmo, trabalhando menos e vivendo bastante intensamente o papel de mãe. Já não tinha muito tempo livre só para mim, eu e o Pedro já tínhamos poucos espaços só nossos e, hoje, diferente do primeiro filho sei com toda a certeza que é uma fase (talvez longa) mas que vai passar e teremos nossos espaços novamente, iremos conquistar isso em algum momento. Então, meu coração está mais calmo no que se refere a “minha vida de volta”. Por outro lado, tem a Lisa, o luto dela e a nossa forma de lidar com a manifestação dos seus sentimento.  Os primeiros 15 dias foram muito intensos e sofridos para a Lisa. Ela não conseguia dormir no ritmo dela, sempre dormiu cedo, dormia à tarde e fazia isso sozinha. Resultado: durante esses 15 dias não dormiu à tarde, dormia 22h/23h e precisava de companhia para dormir, de preferencia a minha (sendo que eu estava amamentando uma recém nascida intensamente). Quando estava amamentando ela queria que eu lesse, brincasse, pulava ao meu lado, pedia para eu leva-la no banheiro, subia em lugares perigosos, jogava água ou comida no chão, fazia tudo que pudesse chamar a atenção. E por fim, o que era mais doloroso para mim, pedia colo “mamãe! Tem colo para duas?” e me entregava um porta retrato com uma foto sua bebê ( para que eu não a esquecesse). Novamente os meus sentimentos oscilavam entre raiva por eu ter a expectativa de que ela “se comportasse e colaborasse comigo”, medo “como vou dar conta disso no longo prazo?” e tristeza “tadinha do meu bebê sofrendo”. Muitas e muitas vezes chorei por ela e com ela nos braços sem saber como amenizar o que ela estava passando. O que fiz? Novamente todo o meu aprendizado com Comunicação Não Violenta me ajudou. Reconheci os sentimentos dela e os nomeei. Filha: Você está com ciúmes da Maria? Ela respondia: Sim (ela tem dois anos e meio). Eu dizia: Tudo bem meu amor, é normal você sentir ciúmes, vai passar e a mamãe te ama também, mas tem que dar mama para a Maria porque ela está com fome. Outra vez perguntava: Você está triste porque a mamãe não está te dando atenção? Ela respondia: sim, quero atenção e começou a pedir atenção ao invés de “fazer arte!” Sempre deu certo? Claro que não. Não sou perfeita, longe de ser. Foram muitas e muitas vezes que estourei, gritei, mandei ela para o quarto, perdi a paciência. Aos poucos a dor da Lisa foi amenizando e nosso ritmo foi voltando a normalidade, se é que existe isso com um recém nascido em casa. Eu fui me “desgrudando” da Maria e me voltando novamente para a Lisa. Todos os dias tento me dedicar a ela: sair, nem que seja uma ida à farmácia ou à padaria com ela, uma escapadinha na pracinha (deixo o Pedro com a Maria), dar o almoço para ela enquanto a Nilda (nossa ajudante) segura a Maria para arrotar.  Aí vem outro desafio, o não descanso. No pós parto da primeira filha, quando ela dormia eu dormia, descansava, fazia yoga. No pós parto da Maria, quando ela dorme e a Lisa está acordada eu brinco! Aproveito o sono dela da tarde para fazer algo por mim: meditar, descansar, tomar um banho mais demorado ou escrever (como hoje). É mais cansativo, mas o amor entre elas está crescendo. O coração enche de alegria quando a Maria chora e a Lisa diz: Mamãe pega a Maria, ela está chorando, acho que ela quer mamar. A crise de ciúmes ainda não passou e acho que não vai passar tão cedo, acho que se manifestará de formas que já conheço, como “Mamãe, estou com dor de barriga, faz massagem (quando a Maria está chorando com cólica” e tantas outras formas que ainda estão por vir. Eu escolhi não colocar a Lisa na escola esse ano para podermos viver juntas a chegada da Maria, muitas mães me chamaram de louca, mas ainda com todo o cansaço e exaustão estou feliz com essa escolha de ter a Lisa pertinho da Maria nesses primeiros meses de vida. Espero dar conta de tudo isso, acho que estamos caminhando juntos eu e o Pedro para conseguirmos.


Se me perguntarem, como é cuidar de dois: Eu direi exaustivo e ao mesmo tempo apaixonante.  



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