segunda-feira, 10 de julho de 2017

A gravidez da minha segunda filha - Maria


Muitas pessoas estão me perguntando como foi a gravidez da minha segunda filha. A curiosidade parece ser como é estar grávida com todos desafios de uma gravidez e ter uma filha de 1 ano e 9 meses a 2 anos e meio ao longo da gestação.

Então, decidi escrever esse posting não somente para vocês que me questionam, mas mais para mim e para que fique um registro para que as minhas filhas um dia possam ler.

Vou dividir o post em três fases: Início da Gravidez (4 a 16 semanas), Meio (16-30 semanas) e Final (30-39 semanas).

Início da Gravidez (4 a 16 semanas)

O início da minha gravidez foi muito desafiador. A Maria estava sendo planejada e chegou bem rápido, no segundo mês. A Lisa tinha 1 ano e 9 meses e ainda estava mamando no peito. No dia anterior ao teste de gravidez ela mamou pouquinho (eu pensei que ela tinha comido muito no jantar), mas já fiquei desconfiada que poderia estar grávida. No dia seguinte fiz o teste de farmácia e deu positivo, tentei amamenta-lá novamente e ela me disse: "Mãe está ruim, quero leite!" (ela já tomava leite pela manhã, pois já planejava um desmame gradual). Não sei se foi pela gravidez ou pelo desmame, mas a Lisa grudou em mim. Era mamãe para tudo. "Mamãe, brinca! Mamãe dá banho Mamãe, colo! Mamãe, xixi! Mamãe, cocô!" Essa fase durou uns dois meses, coincidindo, também, com o início dos enjôos. Eu não tinha energia para nada, mas precisava tirar energia de algum lugar. Só conseguia pensar no lado difícil do pós parto, de como daria conta de dois bebês e um sentimento dolorido de “será que serei capaz de amar tanto um outro filho quanto amo a Lisa?”. Pensava comigo mesma: "O que eu fui fazer? Onde estava com a cabeça quando decidi engravidar?" Isso tudo me gerava um aperto no peito e não dividi isso com muitas pessoas. Uma amiga que tem dois filhos e mora em BH veio me visitar nesse período e lembro de jantarmos juntas e ouvir muitas coisas boas sobre ter dois filhos. Aquela conversa curou temporariamente o meu coração. Ainda assim, eu diria que a segunda gravidez, pelo menos para mim foi mais concreta, talvez até demais. Sabe aquele sentimento que temos na primeira: é Deus no céu e nós grávidas aqui na terra! Na segunda, foi mais pesado... Não me achava tão linda quanto em achava na primeira gravidez  (apesar de muitas pessoas falarem que eu estava), não me sentia plena. O que predominou nessa fase foi muito cansaço, oscilação de humor extrema e um medo (nem sempre tão concreto como estou reconhecendo agora) de não dar conta. Um certo luto, pois a ordem havia se instalado no lar e em breve não existiria mais. Acho que a Lisa captou muito bem (as antenas vibratórias dela são excelentes) e respondeu bagunçando seu sono. Decidiu por conta própria que não queria mais dormir no berço e que queria ir para nossa cama. Foi uma fase de reeducação do sono, durou mais ou menos um mês para ela assentar, se conformar com uma cama novo montessoriana e reestabelecer a rotina do sono da tarde. Somado a isso na consultoria os últimos meses do ano são os mais intensos e cheios de trabalho, mas sobrevivi ao primeiro trimestre de gravidez.

Meio (16-30 semanas)

Os enjôos da segunda gravidez foram menores (acho que a força cósmica é bondosa com as grávidas com filhos mais velhos), mas durou mais tempo. Esse período foi mais tranquilo. Acho que assimilei melhor meus sentimentos, também busquei ajuda na antroposofia o que ajudou muito.  Por outro lado, começamos uma nova luta. Decidi que precisaria desfraldar a Lisa no verão anterior ao nascimento da Maria. Ela já dava sinais de que poderia iniciar o desfralde. Estava com muita, muita preguiça, mas reuni forças do além, pensando que estava puxado o sobe e desce no trocador e com a barriga crescendosó iria piorar. O xixi foi muito tranquilo, mas o cocô durou em torno de dois meses em que ela fazia na calça todos os dias. Respirei fundo e persisti e acho que essa conquista dela me trouxe uma certa paz e uma confiança interior de que daria conta, de que cada fase é uma fase e que todas elas passam. Nesse período voltei a praticar Ashtanga Yoga (tinha dado um pausa na prática diária que tenho há 6 anos nos três primeiros meses). Voltar a praticar me energizou, contribuiu com minha confiança, com minha disposição e as oscilações de humor (apesar de persistirem na gravidez toda) ficaram mais suaves e controláveis. Desfrutei de um período mais tranquilo. Curti muito a Lisa, como se todos os momentos fossem propícios para eu estar com ela, inteira, porque sabia que em breve tudo iria mudar. Fomos muito ao parque, à piscina, à pracinha, saí para almoçar com ela. Fiz duas viagens de final de semana com meu marido pela primeira vez sozinhos depois de dois anos (como estava amamentando não tinha conseguido fazer isso antes).

Final (30-39 semanas)

Essa etapa pode ser resumida com a palavra Exaustão. Eu mantinha a prática de yoga, as saídas com a Lisa, o coloca e tira do vaso sanitário com minha barriga crescendo mais e mais. A Lisa participou dessa fase com um pouco mais de leveza. Decidiu que tinha uma bebê na barriga dela e eu na minha e passamos a brincar juntas com isso. "A Maria está mexendo? A Clara também mamãe!"Dizia ela. Sei que não devemos comparar um filho com outro, uma gravidez com outra, mas é inevitável. Na gravidez da Lisa eu ia da minha casa ao parque do povo (25 min de caminhada ir e 25 para voltar) tranquilamente, fiz isso, inclusive, um dia antes da minha bolsa romper. Na gravidez da Maria me arrastava, acho que fiz isso pela última vez um mês antes dela nascer. Por outro lado, carregava e Lisa no colo caminhando (13kg) até dias antes do parto. Minha mãe, minha sogra me diziam pára de carregar a Lisa. Eu me perguntava, como? Não tem jeito... Procurava sair de carrinho porque não conseguiria correr atrás dela caso ela saísse correndo, o que acontecia com frequência. Na primeira gravidez dormi bem até o final, na segunda acordava 4x para ir ao banheiro e não tinha posição, minhas costas doíam todos os dias. Na primeira gravidez fiz dois meses de massagem, na segunda fiz duas massagens no total. Por outro lado, o parto não foi um preocupação, não li nada sobre a gravidez e os cuidados com o bebê. Relaxei! Eu estava segura de que o máximo que podia fazer estava sendo feito. Minha única preocupação era, como ficar inteira para cuidar da Lisa da melhor forma nesses últimos meses em que seríamos eu, ela e o Pedro.


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